Ordens Arquitetônicas Clássicas Gregas (05-2003)

A arquitetura clássica grega influenciou toda a arquitetura ocidental através dos séculos, pelo seu valor intrínseco e pela disseminação feita pelo romanos, seus grandes discípulos, em todas as províncias de seu império.

Os edifícios gregos eram normalmente construídos em blocos de pedra, perfeitamente talhados e encaixados, sem qualquer tipo de argamassa, estabilizando-se estruturalmente através da perfeita distribuição de seus pesos. Eventualmente, os blocos eram ligados por cavilhas metálicas chamadas gatos. As colunas normalmente eram compostas por seguimentos, chamados tambores, mas eventualmente podiam ser monolíticas. As coberturas dos templos eram sempre em duas águas, com estrutura de madeira e telhamento de barro.

Como são bastante evidentes, as características formais e estéticas da arquitetura grega são identificadas por três ordens distintas, a dórica, a jônica e a coríntia.

Templo dórico, século V a.C.
 

 

Templo de Erecteion na Acrópole de Atenas, obra prima da arquitetura jônica, 406 a.C.
 
 

Templo de Zeus em Atenas (Olympeion), o maior exemplo da arquitetura coríntia, século I a.C.

Ordem Dórica.

A ordem dórica é a mais antiga, supostamente definida em suas características principais entre 600 e 550 a.C., época dos mais antigos vestígios de templos gregos conhecidos, como o templo de Artemisa, em Corfu. O termo "dórico" é relativo aos dórios, povo que ocupou a Grécia Peninsular, a península de Peloponeso, a partir de 1.200 a.C., onde se originou esta ordem.

A fachada de um templo dórico era dividida em três etapas fundamentais: a plataforma ou envasamento, as colunas e o entablamento. A plataforma era escalonada em degraus, o estereóbato (a infra-estrutura) e o estilóbato (piso onde nascem as colunas). As colunas eram divididas em: fuste, volume cilíndrico estriado (caneluras), assentado diretamente sobre a plataforma, com altura máxima equivalente a cinco vezes e meia o diâmetro, e capitel, a cabeça da coluna, formada pelo équino, também conhecido como coxim, e por uma peça quadrada que recebia a carga superior, o ábaco. O entablamento, por sua vez, era constituído por três partes: a arquitrave, viga monolítica de pedra que ligava uma coluna à outra e distribuía as cargas da cobertura pelas colunas; o friso, faixa decorativa formada por tríglifos e métopas; e cornija, que configurava a cobertura propriamente dita, formada por triângulos, os chamados frontões, nas fachadas principal e posterior, e por faixas horizontais salientes nas fachadas laterais do templo.

Nas colunas dóricas foi introduzido o conceito de entasis, que era a redução gradual da seção, a medida em se subia em altura. A entasis era utilizada para compensar o efeito visual de concavidade, apresentado pela colunas de seção uniforme.

Ordem Jônica.

Posterior à ordem dórica, a ordem jônica desenvolveu-se a partir do século V a.C. na região ocupada pelo jônios a partir de 1.700 a.C., a região de Atenas, banhada pelo mar Egeu, fortemente influenciada pela então Grécia asiática, atualmente compreendida pela Turquia. Os melhores exemplos da arquitetura jônica estão nos templos da Acrópole de Atenas.

Na ordem jônica é marcante a influência oriental, com a adoção de motivos orgânicos, notadamente o capitel das colunas. Há uma hipótese de que a coluna jônica tenha sido "importada" da arquitetura dos templos egípcios, esta fortemente adornada por motivos vegetais, como palmeiras, videiras e papiros.

A divisão fundamental da fachada de um templo jônico era a mesma de um templo dórico. As diferenças davam-se nos detalhes de cada componente e inclusão de elementos novos ou exclusão de outros. A plataforma, também escalonada, diferenciava-se pelo estereóbato e estilóbato dotados de frisos rebaixados inferiores. As colunas, mais detalhadas que as dóricas e com menor grau de entasis, acrescentavam um elemento novo, a base, chamada de plinto, formada por um corpo convexo e um côncavo, que dava apoio a um fuste mais delgado, com altura equivalente a nove vezes o diâmetro, também estriado, mas com um número maior de caneluras; o capitel introduz também uma novidade entre o coxim e o ábaco, as volutas, elementos nitidamente decorativos de inspiração orgânica (vegetais, segundo alguns, ou os penteados das mulheres gregas, segundo outros). No entablamento, a arquitrave, que tinha as mesmas funções da ordem dórica, era dotada de estrias horizontais, dividindo este elemento em três faixas; o friso não dispunha de tríglifos e métopas, mas era normalmente decorado com figuras humanas e de deuses em baixo relevo; já a cornija, não guardava diferenças significativas das cornijas dóricas.

Detalhe das cariátides

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Dentro da ordem jônica, existiu uma variante no desenho das colunas, as chamadas cariátides, que eram colunas em forma de mulheres, em homenagem às jovens da região de Cária, na Grécia asiática, que foram escravizadas como parte de um acordo feito com os Persas. O templo de Erecteion, de estilo jônico, apresenta uma tribuna anexa sustentada por cariátides.

Tribuna das cariátides no Erecteion

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Base de coluna jônica, o "plinto"

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Capitel jônico

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Capitel dórico

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Ordem Coríntia.

A ordem coríntia é uma evolução da ordem jônica, no sentido de uma maior valorização da ornamentação, tendência marcante entre o final do século V e o início do século IV a.C. O nome é relativo à Corinto, cidade rival econômica e cultural de Atenas, caracterizada pelo luxo e pelo alto padrão de vida de seus habitantes.

A diferença mais marcante da ordem coríntia para a jônica é o capitel das colunas, muito mais elaborado. Tinha a forma básica de um sino invertido, adornado por folhas e brotos de acanto, uma planta da região. Outra diferença, embora não tão marcante, era a altura das colunas, que correspondia a onze vezes o diâmetro, enquanto que as jônicas tinham altura de nove vezes o diâmetro.

Os romanos, sempre em busca de luxo e ostentação, foram os grandes divulgadores da ordem coríntia, adotando-a praticamente como padrão em suas obras.

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Capitel coríntio

Plantas dos Templos.

A despeito da variadade apresentada pelas formas e proporções das colunas e dos elementos decorativos, a arquitetura dos templos gregos utilizava plantas praticamente padronizadas, com pequenas variações. Um templo típico grego era composto por: espaço central destinado à imagem do deus ou deusa, chamado "cella" ou "naos"; um espaço de transição, chamado "pronaos", cujo acesso era definido por duas colunas centrais ladeadas por pilastras, as "antae", que formavam o pórtico de entrada; passagens laterais, chamadas "pteromas"; e colunata perimetral externa, chamada "peristilo", assentada sobre o piso final, o "estilóbato". Em alguns casos, por questões de simetria, um espaço igual ao pronaos era repetido na área posterior à cella, embora sem acesso a ela. No período jônico, os templos maiores chegavam a ter peristilo duplo.

 

Álcio Lopes Mota

Arquiteto - Idealizador, editor e "webmaster" da Cimento e Areia

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